Oposição denuncia ‘onda de repressão’ na Venezuela com mais de 20 presos em 72 horas
- Boletim Baiano
- 23 de jul. de 2025
- 2 min de leitura

María Corina Machado acusa o ditador Nicolás Maduro de praticar a “política da porta giratória”, soltando alguns detidos enquanto mantém outros atrás das grades
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, denunciou que o regime de Nicolás Maduro prendeu mais de 20 opositores apenas nas últimas 72 horas. Ela classificou as prisões como parte de uma “brutal onda de repressão”, desencadeada após recentes episódios envolvendo presos políticos e deportações.
“A Justiça internacional tem a obrigação de responsabilizar os perpetradores”, afirmou Corina Machado em publicação no X (antigo Twitter) nesta terça-feira (22).
Segundo comunicado divulgado pela líder opositora, os detidos incluem opositores políticos e fiscais eleitorais que atuaram na eleição presidencial de 28 de julho de 2024 — pleito que a Plataforma Unitaria Democrática (PUD) classificou como “fraudulento”.
A intensificação da repressão coincidiu com a libertação de dez cidadãos norte-americanos e de um grupo de presos políticos, ocorrida logo após o envio de 252 migrantes venezuelanos para El Salvador.
“Política da porta giratória”: libertações seletivas e novas prisões
María Corina Machado acusa Maduro de usar a chamada “política da porta giratória”, soltando alguns presos ao mesmo tempo em que mantém outros atrás das grades. Segundo ela, essa estratégia permite ao regime “redistribuir a repressão sem jamais cessá-la”.
“As prisões são usadas como moeda de troca, uma ferramenta de negociação política baseada em diplomacia de reféns e punições seletivas”, denunciou a opositora.
Corina Machado apelou à comunidade internacional por sanções mais duras contra o regime chavista, lembrando que mais de 900 pessoas continuam presas ou desaparecidas por razões políticas. Ela também exigiu que entidades de direitos humanos “intensifiquem sua atuação para que o regime sinta o alto custo de suas ações repressivas”.
“É hora de usar todos os instrumentos disponíveis contra um aparato que persegue, sequestra, desaparece e tortura sem hesitação”, acrescentou.
Números contestados e reações à liberação de presos
A oposição questiona os dados oficiais apresentados pelo regime venezuelano. Enquanto autoridades anunciaram a libertação de 80 pessoas, opositores afirmam que apenas uma mulher foi efetivamente solta — sem registro de menores entre os beneficiados.
A ONG Foro Penal, por sua vez, contabilizou 57 presos políticos libertados, sendo 48 venezuelanos e nove cidadãos ou residentes permanentes dos Estados Unidos.
A libertação em massa, confirmada na sexta-feira (18), ocorreu como resultado de um acordo envolvendo Estados Unidos e El Salvador. Em contrapartida, 252 migrantes deportados dos EUA foram levados a um presídio de segurança máxima em El Salvador, enquanto dez norte-americanos e outros venezuelanos ganharam liberdade.
Essa sequência de solturas acompanhada por novas prisões reforça as acusações da oposição de que o regime chavista mantém um ciclo contínuo de repressão política. Até o momento, as autoridades venezuelanas não se pronunciaram sobre as denúncias.









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