Flávio Bolsonaro promete programa para endividados e nova regra fiscal, diz Daniella Marques
- Boletim Baiano
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Coordenadora econômica da campanha afirma que eventual governo do senador pretende renegociar dívidas de mais de 100 milhões de brasileiros e adotar medidas para conter o crescimento da dívida pública

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República pretende criar um amplo programa de renegociação de dívidas e recuperação da capacidade financeira das famílias brasileiras caso o senador seja eleito em 2026.
A informação foi dada por Daniella Marques, assessora econômica da campanha e ex-presidente da Caixa Econômica Federal.
Segundo Marques, a proposta poderá alcançar mais de 100 milhões de brasileiros e incluir medidas de reestruturação de dívidas, formalização e acesso ao crédito. Ela rejeitou a comparação com o Desenrola, programa criado durante o governo Lula, e afirmou que a iniciativa da atual gestão “não funciona”.
A economista também apresentou as linhas gerais do plano fiscal da candidatura. Entre as propostas está a criação de um conselho com representantes dos três Poderes da República para discutir medidas de contenção de despesas e estabelecer mecanismos de controle da trajetória da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).
De acordo com Marques, a campanha pretende apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ainda durante a transição de governo. A ideia é revisar o atual arcabouço fiscal e criar uma espécie de trava para limitar a expansão dos gastos públicos conforme o nível da dívida.
Corte de gastos
A proposta econômica prevê um pacote de redução de despesas concentrado, segundo Marques, no combate a privilégios e estruturas consideradas excessivas. Entre os exemplos citados estão supersalários, cargos comissionados, número de ministérios e benefícios concedidos a determinadas categorias do funcionalismo.
A assessora também defendeu uma ampla reestruturação dos ativos da União. Ela citou imóveis públicos, estatais, créditos de dívida ativa, contratos relacionados ao petróleo e outros recebíveis como possíveis fontes de recursos.
Segundo Marques, a União possui mais de R$ 5 trilhões em ativos que poderiam ser utilizados de forma estratégica. A proposta da campanha é direcionar parte desses recursos para programas voltados à recuperação financeira das famílias.
Críticas ao governo Lula
Durante a entrevista, Daniella Marques fez duras críticas à política fiscal do governo Lula. Segundo ela, o crescimento da dívida pública e a manutenção de despesas elevadas pressionam os juros e dificultam a recuperação da economia.
A economista afirmou ainda que o modelo econômico defendido pelo PT segue uma direção diferente da proposta de Flávio Bolsonaro e criticou o atual arcabouço fiscal, que classificou como insuficiente para controlar a trajetória da dívida.
Salário mínimo e escala 6x1
Marques também afirmou que a campanha não pretende, neste momento, discutir medidas que reduzam o ganho real do salário mínimo ou alterem benefícios previdenciários. Segundo ela, antes seria necessário enfrentar gastos que considera relacionados a privilégios e desperdícios no setor público.
Sobre o fim da escala 6x1, declarou ser favorável à possibilidade de mudança, mas defendeu maior liberdade para trabalhadores e empresas escolherem diferentes modelos de jornada.
Crédito para famílias e empresas
Na área de crédito, a proposta prevê utilizar instituições públicas, como Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia, como instrumentos de garantia para ampliar o acesso de pequenos negócios e famílias a financiamentos.
A ideia, segundo Marques, seria utilizar parte do patrimônio dos próprios brasileiros como garantia para um programa de recuperação financeira de grande escala.
A campanha ainda não apresentou todos os detalhes de como as medidas seriam implementadas nem especificou quais despesas seriam efetivamente cortadas para alcançar a economia estimada em 1,5% do PIB. Marques afirmou que o detalhamento dependeria das negociações com o Congresso Nacional.
O plano econômico deverá ser aprofundado pela campanha de Flávio Bolsonaro ao longo da disputa eleitoral, especialmente nas propostas de controle de gastos, redução da dívida pública, crédito e recuperação da capacidade financeira das famílias.





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