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Editorial - COP30: promessas verdes e o impacto direto no Sul da Bahia

  • Foto do escritor: Boletim Baiano
    Boletim Baiano
  • 10 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura

O que Belém decide pode mudar o rumo da economia baiana.


Da Redação — Boletim Baiano



A COP30, conferência mundial do clima que acontecerá em Belém (PA), promete ser um dos maiores eventos ambientais da história recente. Governos, ONGs e grandes corporações se reúnem para falar de sustentabilidade, preservação e transição ecológica.

Mas por trás dos discursos cheios de boas intenções, uma dúvida ecoa entre os brasileiros: quem vai pagar essa conta?



- O discurso bonito e o peso no Brasil real


Enquanto as potências internacionais discutem metas climáticas e fundos bilionários, quem sente o impacto real dessas medidas é o produtor rural, o pescador e o pequeno empresário.

No Sul da Bahia, onde o cacau, a pecuária e o turismo sustentam milhares de famílias, novas exigências ambientais podem se transformar em custos altos, burocracia e insegurança econômica.


Empresas grandes, com estrutura e acesso a crédito, vão se adaptar. Mas o agricultor que vive do que planta corre o risco de ser deixado para trás, sem apoio técnico e com mais regras do que resultados.


- Cacau: o ouro marrom sob pressão


A região cacaueira baiana é símbolo de tradição e riqueza natural.

Cidades como Ilhéus, Itabuna, Uruçuca e Una dependem diretamente da lavoura.

Contudo, as novas políticas de “produção sustentável” exigem certificações caras e processos complexos, o que coloca o pequeno produtor em desvantagem.


Enquanto isso, empresas estrangeiras e ONGs ambientais ganham força, ditando o que é “verde” e o que não é, muitas vezes sem conhecer a realidade local.


O resultado? Mais dificuldade para quem realmente trabalha na terra e mais lucro para quem apenas fala sobre o campo.


- Turismo ecológico: promessa ou ilusão?


Há, no entanto, um ponto positivo: o turismo sustentável.

Cidades como Itacaré, Serra Grande e Ilhéus têm potencial para atrair visitantes com a imagem de “paraísos ecológicos”.

Mas se o dinheiro das iniciativas não for bem aplicado, tudo isso pode se resumir a propaganda, com pouco impacto real nas comunidades locais.


De nada adianta o selo de cidade verde se as praias continuam sem saneamento e os trabalhadores locais não participam dos lucros.



- A política entra em cena


Com a COP30 às portas e as eleições de 2026 no horizonte, muitos políticos baianos devem tentar surfear na onda verde.

É provável que prefeitos, vereadores e deputados se apresentem como “defensores do meio ambiente” para ganhar visibilidade.

Mas o eleitor precisa ficar atento: nem todo discurso ecológico vem de quem realmente planta uma árvore.


- Conclusão: o desafio da Bahia diante da COP30


A COP30 pode trazer investimentos e oportunidades, desde que as decisões considerem o Brasil real: o da roça, do mar e do comércio local.

Se usada com bom senso, pode abrir portas para uma economia mais forte e sustentável.

Mas, se virar apenas vitrine política, o Sul da Bahia sentirá o peso de promessas que nunca saem do papel.




 
 
 

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