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Tragédia na Venezuela: equipes internacionais buscam sobreviventes após terremoto histórico

  • Foto do escritor: Boletim Baiano
    Boletim Baiano
  • 6 de jul.
  • 4 min de leitura

Missão humanitária brasileira atua nas operações de resgate e reforça atendimento médico de emergência aos feridos.



O terremoto que atingiu a Venezuela em 24 de julho entrou para a história como o mais intenso registrado no país em mais de um século. O município costeiro de La Guaira, banhado pelo Mar do Caribe e localizado a cerca de 40 minutos de Caracas, concentrou os maiores danos. O tremor provocou o desabamento de conjuntos habitacionais, edifícios residenciais e imóveis de alto padrão, deixando bairros inteiros parcial ou totalmente destruídos.


O início do abalo sísmico foi registrado por um morador do bairro Playa Grande, em La Guaira, enquanto ele assistia a uma partida de futebol entre Brasil e Escócia. As imagens mostram o momento em que o edifício começa a balançar intensamente, seguido pelo transbordamento de uma piscina e pelo desabamento parcial de um prédio vizinho.


Embora o edifício onde o vídeo foi gravado tenha permanecido de pé, a estrutura foi interditada pelas autoridades. O proprietário do imóvel afirmou que perdeu todos os seus bens e que não possuía seguro. Ele também relatou que pequenos tremores haviam sido sentidos na região nas semanas que antecederam a tragédia.


Força-tarefa internacional intensifica buscas


As operações de resgate mobilizaram cerca de 60 equipes de 28 países, que atuam na busca por vítimas sob os escombros utilizando cães farejadores, sensores de presença e equipamentos capazes de detectar sons e batimentos cardíacos.


A missão humanitária brasileira é coordenada pelo capixaba Armin Braun. Entre as operações realizadas, a equipe concentrou esforços na tentativa de localizar um jovem identificado como Santiago, cuja residência desabou durante o terremoto. Após horas de escavação, os sinais de vida deixaram de ser detectados e a operação foi encerrada.

“A história do Santiago nos marcou profundamente, mas também nos dá força para continuar procurando outros sobreviventes e seguir trabalhando até onde for possível”, afirmou Braun.

Mesmo com o passar dos dias, histórias de sobrevivência continuam mobilizando os resgatistas. O vigilante Hernán Gil foi retirado com vida após permanecer oito dias sob os escombros. A operação durou aproximadamente 72 horas e contou com a participação de mais de cem profissionais de diferentes países.


Hospital de campanha reforça atendimento


Com milhares de pessoas desalojadas e o aumento do risco de saques, muitos moradores passaram a sinalizar os imóveis remanescentes com avisos de “propriedade particular” e “não entre”. Parte da população foi encaminhada para um abrigo temporário instalado em um campo de futebol, administrado por agências da Organização das Nações Unidas (ONU), que oferece alimentação, apoio logístico e atendimento básico de saúde.


Para os casos mais graves, a Marinha do Brasil montou um hospital de campanha na orla de La Guaira, cinco dias após o terremoto. A estrutura dispõe de leitos de internação, centro cirúrgico, unidades de terapia intensiva (UTI) e especialidades como ortopedia e pediatria.


Segundo a coordenadora da unidade, a cirurgiã vascular Marisa Martins, o perfil dos pacientes mudou com o avanço da operação.

“Estamos atendendo muitos pacientes no período pós-trauma. Muitos não conseguiram realizar curativos, tomar medicamentos ou cuidar das lesões, que agora chegam com sinais de infecção”, explicou.

A unidade brasileira passou a registrar média de aproximadamente 120 atendimentos por dia.

O comandante da missão da Marinha, Leonel Mariano, alertou para uma nova etapa da operação humanitária.

“Nos últimos dias já alcançamos uma média de 120 pacientes por dia e esse número tende a aumentar. Infelizmente, chegará o momento em que começaremos a atuar na remoção de corpos, o que amplia significativamente as preocupações sanitárias”, afirmou.

Cobranças ao governo e relatos de sobrevivência


Enquanto as equipes seguem trabalhando, familiares de desaparecidos aguardam informações em acampamentos improvisados. Muitos moradores de Caracas percorrem diariamente o caminho até La Guaira em busca de parentes desaparecidos.

Um dos casos mais dramáticos envolve duas crianças, de oito e nove anos, que visitavam amigos em um edifício de dez andares que desabou completamente. Até o momento, nenhum sobrevivente foi localizado no local.


Moradores também criticaram a demora na chegada das equipes de resgate, afirmando que iniciaram as buscas com as próprias mãos antes da mobilização das forças oficiais.

Questionada sobre as críticas, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, defendeu a atuação do governo.

“É injusto politizar uma tragédia humanitária como esta. O governo mobilizou todos os recursos públicos, privados, nacionais e internacionais disponíveis. Não houve negativa de ajuda a qualquer cidadão”, declarou.

Entre os sobreviventes está Dayana e seu filho recém-nascido, Juan David, que permaneceram soterrados por mais de 30 horas. O pai da criança, Gerson Trujillo, conseguiu escapar poucos segundos antes do desabamento e localizou a esposa ao ouvir sua voz sob os destroços.


O bebê foi resgatado primeiro. Cerca de uma hora depois, os socorristas conseguiram retirar a mãe com vida. Atualmente, a família está abrigada na casa de parentes e iniciou uma campanha de arrecadação para reconstruir a vida após a tragédia.


O edifício onde a família morava ficava ao lado do prédio de onde foram gravadas as primeiras imagens do terremoto e aparece intacto nos segundos iniciais do vídeo registrado pelo morador.

 
 
 

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Apresentado por Roberto Rodrigues

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