Recuperações judiciais atingem maior nível da história no Brasil e expõem pressão dos juros altos
- Boletim Baiano
- há 8 horas
- 2 min de leitura

O número de empresas em recuperação judicial no Brasil atingiu um novo recorde ao final de 2025, somando 5.680 companhias em dificuldades financeiras. O volume representa um crescimento de aproximadamente 24,3% em relação ao ano anterior, quando havia 4.568 empresas nessa situação.
O avanço reflete um cenário econômico desafiador, marcado principalmente pelo custo elevado do crédito. A taxa básica de juros em 15% ao ano — o maior nível em quase duas décadas — é apontada como um dos principais fatores por trás do aumento expressivo nos pedidos.
A reta final de 2025 registrou uma intensificação do movimento. Somente no último trimestre, 510 empresas ingressaram com pedidos de recuperação judicial, o maior número já registrado para o período e superior ao trimestre anterior.
No total, as empresas em processo acumulam cerca de R$ 40 bilhões em dívidas. Um único caso concentra quase metade desse valor: o da petroquímica Unigel, com um passivo declarado de aproximadamente R$ 19 bilhões.
O setor mais impactado foi o agronegócio, que registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial ao longo de 2025 — um salto de 56,4% em comparação com o ano anterior.
O dado chama atenção por ocorrer em paralelo a um desempenho positivo da produção agrícola, com crescimento do PIB do setor e safra robusta. Ainda assim, muitos produtores enfrentaram dificuldades financeiras devido à combinação de juros elevados, queda nos preços das commodities e aumento dos custos operacionais.
Em termos proporcionais, o agronegócio apresentou 13,53 recuperações judiciais para cada mil empresas, muito acima da média nacional, que ficou em 2,13.
Depois do agronegócio, a indústria aparece como o segundo setor mais pressionado, com índice de 6,74 recuperações por mil empresas. Na sequência estão infraestrutura (4,11), comércio (1,81) e serviços (1,02), ambos abaixo da média geral.
Apesar de parte das empresas conseguir se reestruturar, os dados mais recentes indicam deterioração na taxa de sucesso. No último trimestre de 2025, 71% das empresas conseguiram sair da recuperação judicial, enquanto 29% acabaram em falência.
Esse percentual de insucesso é o mais alto dos últimos anos e supera a média histórica, que girava em torno de 20%. O cenário gera preocupação adicional diante da entrada de grandes companhias nesses processos, o que pode desencadear impactos em cadeia sobre fornecedores e empresas menores.
Além dos fatores econômicos, elementos como volatilidade cambial e o ambiente político também contribuem para aumentar a incerteza. A proximidade das eleições e mudanças na equipe econômica ampliam o receio de continuidade — ou até agravamento — das dificuldades enfrentadas pelas empresas.
A expectativa no mercado é de que 2026 ainda registre níveis elevados de recuperação judicial, mantendo o tema no centro das atenções econômicas e políticas do país.





Comentários