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Nove advogados são presos por suspeita de atuar como elo entre facções criminosas na Bahia

  • Foto do escritor: Boletim Baiano
    Boletim Baiano
  • há 7 horas
  • 2 min de leitura

Operação Sintonia de Gravata investiga esquema de comunicação entre líderes presos e integrantes em liberdade; Justiça bloqueou até R$ 10 milhões em bens dos investigados.



Nove advogados foram presos nesta sexta-feira (3) durante a Operação Sintonia de Gravata, deflagrada para desarticular um esquema de comunicação entre chefes de facções criminosas presos e integrantes que permaneciam em liberdade na Bahia.


Ao todo, a operação resultou na prisão de 21 pessoas e mobilizou mais de 100 policiais em ações realizadas nos municípios de Salvador, Camaçari, Lauro de Freitas, Feira de Santana, Barreiras e Serrinha.


De acordo com as investigações, os advogados são suspeitos de utilizar prerrogativas da profissão para transmitir mensagens, orientações e ordens de lideranças criminosas encarceradas, permitindo que as organizações continuassem exercendo influência sobre suas atividades fora do sistema prisional. A apuração aponta o envolvimento de integrantes de três facções com atuação no estado.


As investigações tiveram início após a fuga de detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, em dezembro de 2024, e o atentado contra o diretor da unidade prisional, registrado em maio do ano passado. A partir desses episódios, a Polícia Civil identificou indícios da participação de advogados na interlocução entre presos e criminosos em liberdade, aprofundando as investigações ao longo de aproximadamente 11 meses.


Por determinação da Justiça, foram bloqueados bens, veículos e contas bancárias dos investigados, em um montante que pode chegar a R$ 10 milhões. Segundo as autoridades, a Operação Sintonia de Gravata é considerada uma das mais complexas já realizadas no estado devido ao tempo de investigação, ao número de alvos e ao sofisticado esquema de comunicação identificado.


A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA) informou que acompanhou o cumprimento dos mandados envolvendo os profissionais investigados e que solicitará acesso ao inquérito para analisar o caso e adotar as medidas cabíveis.Casos envolvendo a atuação de advogados em benefício de organizações criminosas têm sido alvo de investigações em diferentes estados.


Em novembro do ano passado, por exemplo, a Polícia Federal prendeu quatro advogados em Manaus suspeitos de exercer função semelhante, transmitindo ordens de líderes de facções de dentro dos presídios. O combate a esse tipo de estrutura passou a ser uma das prioridades das forças de segurança, diante da tentativa de organizações criminosas de manter o comando de suas atividades mesmo com seus líderes encarcerados.


Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a Bahia concentra atualmente o maior número de facções criminosas em atuação no país. O avanço desses grupos, incluindo o Comando Vermelho, tem intensificado disputas territoriais e contribuído para o aumento dos índices de violência no estado.

 
 
 

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Apresentado por Roberto Rodrigues

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